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mil e quinze

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

30
Dez20

LIVROS: V de Vingança, Alan Moore e David Lloyd

Vera

Para o 14º e último livro do ano de 2020, trago-vos uma review do livro V de Vingança. Esta história está adaptada para um filme com o mesmo nome, que vi há alguns anos mas, confesso, já não me recordava da maioria dos aspectos da história. 

 

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"V de Vingança" foi uma das obras que granjeou a Alan Moore a fama de ser o melhor argumentista de banda desenhada de todos os tempos. Inicialmente publicado na revista Warrior, com desenhos de David Lloyd, um dos mais notáveis artistas britânicos da sua geração, "V de Vingança" foi mais tarde continuado pelos autores no mercado americano e adaptado ao cinema em 2006. A máscara que Lloyd criou para a história acabou por transcendê-la e tornar-se num símbolo de protesto em todo o mundo.

A Inglaterra mergulhou num regime fascista depois de uma catastrófica guerra nuclear, e todos os opositores ao poder instalado foram exterminados. Neste universo, ao mesmo tempo distópico e familiar, V, um revolucionário anarquista, vai encetar uma campanha revolucionária complexa e dramática para deitar abaixo o governo, enquanto inspira uma jovem, Evey Hammond, que se tornará na sua protegida. Fonte: Fnac

 

Esta foi a primeira novela gráfica que li na minha vida inteira. De um modo geral, gostei bastante do livro e considero que foi muito fácil de ler. Apesar da história, é um livro leve que foi uma espécie de lufada de ar fresco que eu não sabia que precisava, algo que não exigiu muito esforço para ler.

 

O estilo artístico não é necessariamente o meu preferido, além de que achei as personagens todas muito parecidas umas às outras, tanto as mulheres como os homens, exceptuando as duas personagens principais. Creio que foram também tantas personagens - sobretudo as masculinas - que se tornou um pouco confuso perceber quem era quem no meio de toda a história. Não sinto que isso tenha afectado, de um modo geral, o meu entendimento da história, mas há partes que gostava de ter conseguido compreender melhor.

 

O livro tem uma linguagem violenta e pouco respeitosa no geral, retratando uma sociedade distópica não só em termos políticos mas também em termos sociais, sobretudo no que toca às mulheres. Não vou mentir e dizer que não me incomodou ver uma história extremamente machista, no entanto compreendo que isso faça parte dos problemas que se querem retratar da sociedade em questão e da história que se quer contar. 

 

Vá, mas não pensem que só tenho coisas más a dizer e que não gostei do livro: apesar de tudo isto, achei a história muito boa e a mensagem que passa também. Vemos uma boa evolução da personagem de Evey e distopias políticas têm sempre um lugar especial no meu coração (olá, 1984). Sabemos do símbolo que o V se tornou e do impacto que esta história teve no mundo real e por alguma razão isso aconteceu. Passa uma mensagem de luta e de união de forças de um povo contra um governo opressor. É difícil que algumas distopias políticas não tenham elementos que serão sempre actuais e aplicáveis à época em que nos encontramos. Só não sei dizer se gostei do final, achei um pouco vago e aberto demais e gostava de ter visto um pouco mais das consequências de algo que aconteceu na parte final da história (isto para não dar spoilers).

 

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Agora digam lá: o que é que acham deste livro? Curiosidade de ler? Já leram e gostaram? É deixar a opinião nos comentários em baixo 👇

28
Dez20

Livros de 2020 e top 5

Vera

E chegamos ao último top 5 de 2020: o de livros. Nunca li tanto como este ano; devido à universidade nunca tinha tempo para ler, e quando tinha sentia-me sempre demasiado cansada para isso. Ainda por cima, passei um curso inteiro constantemente a ler - artigos, no caso. Por isso, acabava sempre por ler mais apenas nas férias de Verão. Este ano, não só com a pandemia mas também com o facto de não ser um ano de aulas e de estudo, acabei por ler muito mais, por regressar e reforçar o meu hábito de leitura e por redescobrir o meu amor por livros. É, sem dúvida, um hábito que considero muito saudável e que pretendo levar comigo para 2021, e todos os anos que se seguirem. Como já foi hábito nestes posts, começo então pela listagem de todos os livros lidos este ano:

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Hoje, sem quaisquer ressalvas a fazer, passamos desde já ao top 5 do ano em leitura *drum roll*:

 

O Pintor Debaixo do Lava-Loiças ★★★★☆

O primeiro e único livro que li do Afonso Cruz, mas que foi suficiente para me conquistar. Adoro a escrita poética e adoro a forma como a conjuga com a história - sendo mais directa, adoro o facto de não deixar o enredo em segundo plano para dar prioridade apenas à sua forma de escrever. É isto que gosto num livro: boa escrita, mas também uma boa história, como já referi há uns posts atrás. Acho este livro especial porque, no fundo, estamos a ler a imaginação de um menino - do Afonso criança e da vida que ele imaginou para o pintor quando ouvia, dos seus avós, a história de como estes acolheram um pintor debaixo do lava-loiças nos tempos de guerra. Quero muito ler Nem Todas as Baleias Voam, embora tenha curiosidade de ler vários livros do autor. Posso prometer-vos que não vai ficar por aqui.

 

The Hate U Give ★★★★☆ (4 ½)

Um young adult escrito por uma autora negra e sem questões problemáticas como um white savior. Um livro que nos mostra as experiências racistas por que Starr e a sua família passam. Embora Starr seja ainda uma adolescente, é a segunda vez que ela vê um amigo (Khalil) morrer. A protagonista presencia o momento em que Khalil morre às mãos de agentes policiais que recorreram à violência sem qualquer motivo para tal (isto soa muito familiar, certo?). Como se isso não bastasse, a partir de então, presencia a forma como a polícia e o sistema judicial tentam distorcer a situação para fazer Khalil parecer culpado e desculpabilizar as únicas pessoas que cometeram um crime na situação: os agentes policiais. Para além disto, mostra-nos a discriminação racista de várias outras formas, e até o processo de adaptação da Starr, que se vê dividida em duas pessoas diferentes: a Starr de Williamson, a escola que frequenta e que é maioritariamente frequentada por pessoas brancas; e a Starr do bairro onde habita. Este livro é um soco no estômago e uma montanha russa de emoções. Por vezes, tive de parar de ler para respirar ou tentar não chorar. Mas eu estou apenas a ler um livro - há pessoas que estão mesmo a viver tudo o que nele está descrito. E esse é que é o problema.

 

1984 ★★★★☆ (4 ½)

Uma releitura de um dos meus livros preferidos de sempre, considerado um clássico da literatura. Não sei o que vos dizer sobre 1984, a não ser que é uma história absolutamente genial. Um livro sobre o abuso de poder político, hipervigilância, controlo de massas, de conhecimento e do pensamento. Não lhe consigo fazer justiça de forma nenhuma, vão pesquisar e leiam, façam esse favor a vocês mesmos.

 

Teoria King Kong ★★★★☆

Um manifesto punk feminista por parte de Virginie Despentes que se debruça sobretudo em três áreas: violação, prostituição e pornografia. É um livro fácil de ler mas não é um livro leve, não poderia sê-lo ao abordar os problemas de uma sociedade inerentemente machista. Deve ser lido com algum tempo para pousar e alguma cabeça para reflectir. Não concordo com tudo o que diz, mas tem diversas perspectivas interessantes, algumas sobre as quais nunca tinha pensado antes.

 

Born a Crime: Stories From a South African Childhood ★★★★☆

Uma autobiografia do humorista Trevor Noah e da sua infância na África do Sul. Nascido de uma relação entre uma mulher negra e um homem branco - na altura, considerado um crime - Trevor Noah teve uma vida difícil, bem como a sua família. Um livro que aborda diversos temas sociais bastante pesados, misturando-os com pequenos momentos mais leves e engraçados da sua vida, este livro é outra montanha russa de emoções. Um dos livros que mais me marcou este ano e que quero reler no futuro. Podem contar com tópicos como a pobreza, violência doméstica ou a discriminação e sentimento de não-pertença que o próprio Trevor Noah experienciou ao não ser uma pessoa branca, mas não ser igualmente considerado por ninguém como "totalmente negro".

 

E assim damos por aqui terminados os tops 5 de 2020. Não só para o ano há mais, como ao longo do ano irei escrever várias reviews sobre tudo o que ler/vir, por isso podem esperar opiniões muito mais fundamentadas de tudo (aqui é que tive que resumir!). Mas agora digam-me lá: quais são os livros que mais gostaram de ler este ano?

 

Nota: Entretanto terminei ainda o livro V de Vingança, cuja review sairá daqui a uns dias.

26
Dez20

FILMES: Lars and the Real Girl

Vera

A vontade de ver filmes que não aparecia desde Junho resolveu dar o ar da sua graça uma última vez no ano e foi este filme que acabei por escolher. Já estava na minha lista há anos.

 

 

Lars Lindstrom (Ryan Gosling) é um homem tímido e introvertido, que vive na garagem de seu irmão mais velho, Gus (Paul Schneider), e sua cunhada Karin (Emily Mortimer). Lars apenas acompanha o desenrolar de sua vida, sem se mexer para algo. Até que um dia ele encontra Bianca, uma missionária religiosa, através da internet. O problema é que para as pessoas Bianca não é alguém real, mas a réplica de uma mulher, feita de silicone. Só que Lars acredita piamente que ela é um ser humano, o que faz com que se torne seu apoio emocional. Preocupados, Gus e Karin decidem procurar o conselho de uma psicóloga, que recomenda que concordem com Lars enquanto ele lida com seus problemas pessoais. Fonte: AdoroCinema

 

Lars é um homem que vive muito sozinho e tem grandes dificuldades em socializar e fazer amigos, a ponto de até o toque de alguém o deixar extremamente desconfortável. São essas dificuldades que o levam a comprar uma boneca (que é até uma sex doll) que, para ele, se torna num ser humano real e na sua namorada. Lars apresenta claramente alguns problemas mentais, nomeadamente delírios, ao acreditar que a boneca é uma pessoa real e com vida. Isto estranha não só as personagens secundárias do filme como a nós, os próprios espectadores.

 

No entanto, ao longo do filme vemos a forma como a boneca tem um papel importantíssimo não só na vida de Lars como na vida de todos os que o rodeiam, ao fazer crescer um sentido de comunidade e suporte que antes parecia não existir. De repente, Bianca passa de facto a existir quase que como um ser humano para todos, incluindo para nós, que vemos o filme. Com o desenrolar da história vamos percebendo que Lars começa a descobrir como se relacionar e conectar com as pessoas e, à medida que isso acontece, Bianca vai deixando de ter o seu papel na história, de forma gradual.

 

Gostei mesmo muito deste filme e da sua mensagem, da forma como retrata a solidão e o retraimento, do papel que desempenha em normalizar problemas mentais, do modo como nos mostra que o que há de mais bonito no ser humano é a partilha, o apoio e os laços que criamos com as pessoas. Ryan Gosling esteve também muito bem como Lars. Achei um filme muito bonito e recomendo a 100% que vejam, acho que vale pela experiência.

 

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Se já viram, o que acharam?

22
Dez20

Filmes de 2020 e top 5

Vera

Se, por um lado, vi bastantes séries em 2020, por outro, este ano foi péssimo no que toca a filmes. Vi muito poucos e desde que começou a segunda metade do ano que simplesmente não sinto vontade de ver filmes - penso que, desde então, só vi o Contagion, porque passou na televisão, e o Tenet, no cinema (e esse tinha que ver obrigatoriamente, porque Christopher Nolan, não é?). Ainda assim, quis fazer a mesma publicação para filmes, e espero seriamente conseguir ver mais filmes em 2021 mas, mais importante que isso, sentir mais vontade de ver filmes. Ora aqui estão então os filmes que vi neste ano que passou:

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Sinto que preciso de fazer um pequeno disclaimer para ninguém cair em cima de mim: sim, devo ser a única pessoa que não gostou - nada mesmo - do Parasite; e sim, entendi a mensagem do filme, no entanto achei que foi mal executada. Não gostei do estilo do filme, não gostei de nada.

 

Para ser sincera, é difícil escolher um top 5 de filmes porque nenhum me marcou a esse ponto, mas vamos enumerar alguns dos que mais gostei de ver:

 

1917 ★★★★☆ (4 ½)

Penso que este filme de guerra dispensa apresentações, mas prima muito por dar a ilusão de ser realizado inteiramente num só take. É aqui que se encontra a sua genialidade (mas não só, claro, porque um filme é composto por muitos aspectos que não apenas o trabalho de câmara): na sensação linear que dá ao mostrar-nos a jornada de um combatente de guerra sem qualquer tipo de cortes de edição, do início ao fim. Claro que existem cortes estratégicos - embora existam filmes realmente feitos apenas num take, estou a lembrar-me por exemplo do Russian Ark, para quem tiver curiosidade -, mas é nesse engano que estão as maravilhas do filme. Juntando a isso uma boa representação, fotografia e banda sonora, temos a receita para um dos melhores filmes do ano de 2019.

 

Jim & Andy: The Great Beyond ★★★★☆

Já não sei como ouvi falar deste documentário, mas desde logo me interessou quando vi que mostrava o processo de representação do Jim Carrey aquando a produção do filme Man on the Moon, onde desempenhou o papel do Andy Kaufman. Ironicamente, eu nunca vi este filme; o que me fez querer ver o documentário foi mesmo o que aconteceu na altura das filmagens. Aparentemente, o Jim Carrey deixou de existir - passou a desempenhar o papel de Andy mesmo fora das rodagens, nunca conscientemente, e de tal maneira que a própria família do então falecido Andy Kaufman disse que era Andy que se encontrava ali, naquele corpo. Parece que ocorreu uma transformação transcendental, em que Jim Carrey desapareceu para dar lugar a Andy Kaufman, no filme e na vida real. Vi este documentário no início do ano e ainda hoje estranho esse processo; sabemos do talento que alguns actores têm para encarnar algumas personagens, mas a situação descrita neste documentário parece ultrapassar isso e referir-se quase que a uma espécie de autêntica possessão. É indescritível.

 

Tell Me Who I Am ★★★★☆

Mais um documentário, desta feita com dois irmãos gémeos. Um dos irmãos (Alex) perdeu a memória num acidente aos 18 anos e o outro irmão (Marcus) ajudou-o a reconstruir o seu passado, contando-lhe a sua história de vida. No entanto, Marcus escondeu um segredo de família para proteger o irmão. Um documentário autêntico e cheio de dor, que nos faz pensar: até que ponto gostaríamos de ter ou não conhecimento das coisas mais terríveis das nossas vidas?

 

The Truman Show ★★★★☆

Temos Jim Carrey a fazer aparição dupla neste top 5, desta vez com um filme onde representa Truman, um homem aparentemente normal com uma vida aparentemente normal - o que ele não sabe é que a sua vida é, desde o início, um reality show que passa nas televisões de todo o mundo. Acho a premissa deste filme muito curiosa, e penso ser uma ideia que poderia ser executada até noutros géneros, como por exemplo em thriller. Gostei bastante deste filme e recomendo para bom entretenimento.

 

Tenet ★★★★☆

É difícil não colocar um filme do Christopher Nolan em qualquer top que seja. Se ainda não sabem: este homem é um génio. Até hoje não entendi o filme na totalidade (mas com um filme dele, quem nunca, não é?), mas se gostam de filmes complexos que vos deixam com um completo nó no cérebro, o Tenet e praticamente qualquer filme do Christopher Nolan estão cá para vos ajudar. É ir ver e divertirem-se a tentar decifrar o indecifrável.

 

Que filmes viram em 2020 e recomendam? A ver se me ajudam a ver mais em filmes em 2021!

P.S: Desde que este post foi escrito também vi ainda o filme Lars and the Real Girl, que também recomendo (e vai sair post sobre ele daqui a uns dias!).

18
Dez20

SÉRIES: The Mandalorian, Temporada 2 (sem spoilers)

Vera

Uma das melhores decisões que fiz este ano foi ter começado a ver The Mandalorian. Foi sem dúvida uma das melhores séries vistas este ano e achei esta segunda temporada muito melhor que a primeira. Sinto sempre que tenho de fazer um pequeno disclaimer quando falo de The Mandalorian: não sou fã de Star Wars, apesar de ter visto as prequelas e a saga original há uns anos, e portanto não estou por dentro de todo o universo, embora o Filipe me vá mantendo a par de algumas coisas (e se quiserem ver reviews de alguém que realmente conheça o universo, é ir ao blog dele!).

 

 

Uma coisa que me incomodou bastante na primeira temporada foi o facto de esta não se centrar muito no enredo da série e ser muito composta por episódios de "caso de semana" que pouco acrescentavam à história. Embora a série mantenha por vezes esse formato de caso semanal, nesta segunda temporada isso não me incomodou nem um pouco porque sinto que, efectivamente, o foco na história foi muito maior do que na anterior, e para mim era esse o único ponto em que a série estava a "falhar".

 

Notou-se muito claramente um crescendo na intensidade da história e dos episódios ao longo da temporada, o que para mim é óptimo, porque considero que é assim mesmo que uma temporada deve ser feita (e algumas, infelizmente, ficam um pouco aquém nesse quesito). Apesar de não ser fã de Star Wars, segundo o que vi e aquilo que me foi sendo dito, acho que esta temporada, ao contrário da primeira, foi sim feita para os fãs, cheia de revelações e regressos, tanto de elementos como de personagens de outras obras do universo Star Wars. Penso que beneficiamos muito mais de ver esta série (e sobretudo esta temporada) se tivermos visto/conhecermos todas as obras do universo ou, pelo menos, se tivermos alguém que nos vá elucidando sobre algumas coisas, como eu tive. Caso contrário, embora continue a ser um bom entretenimento, penso que fica a faltar bastante e algumas coisas perdem o seu significado ou sentido se não o conhecermos de alguma forma.

 

Em suma, esta temporada não me desiludiu nem um pouco; na verdade foi ficando cada vez melhor e acabou em grande (e com o final perfeito para matar os fãs de Star Wars do coração). Se precisarem de mais uma razão para ver, existe sempre o Baby Yoda, que continua até hoje a ser a personagem mais adorável na história das séries e, se é que era possível, ficou ainda mais adorável nesta temporada do que já era.

 

O que é que acham desta série? A mim deixou-me com mais vontade de ir ver o resto dos filmes!

12
Dez20

Séries de 2020 e top 5

Vera

Este ano decidi tentar fazer este género de posts, que vão abranger as temáticas clássicas: séries, filmes e livros. Como não consigo decidir se devia fazer apenas um top 5 ou se devia listar todas as séries vistas ao longo do ano; como sou parva e não consigo escolher entre as duas opções: vou fazer ambas num só post. 2020 foi um bom ano em séries, apesar de nos últimos meses ter gradualmente diminuído o tempo passado a ver séries, mas considero que ainda assim vi bastantes. Aqui ficam todas as séries que vi em 2020 (constam apenas as que comecei a ver este ano, quer tenham finalizado, continuem a sair ou tenha desistido delas):

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Gostava apenas de deixar duas ressalvas: 1) Las Chicas del Cable começa muito bem, mas decepcionou-me na última temporada e no final; 2) Don't Fuck With Cats é muito boa tecnicamente e pelo shock value, mas honestamente não recomendo a espectadores sensíveis, foi uma agonia de assistir e queria poder "desver" aquilo tudo.

 

Depois de tudo isto, quais é que tiveram a sorte de entrar no meu top 5 (sem ordem de preferência)?

 

When They See Us ★★★★☆ (4 ½)

Mini-série que retrata um caso real de um grupo de jovens negros que foram injustamente condenados por um crime que não cometeram. Um soco no estômago e uma realidade que muitos de nós não vivemos mas existe. Recomendo a 100%.

 

Unbelievable ★★★★☆ (4 ½)

Mais uma mini-série que retrata um caso real, desta vez de uma violação. Perfeita a mostrar a desvalorização do acontecimento, a culpabilização da vítima, e a diferença que faz (no caso e na vítima) ter um caso tratado por bons profissionais e um caso pessimamente tratado por agentes incompetentes. Outra que recomendo a 100%.

 

The Good Place ★★★★☆

Uma comédia e uma série leve que, com o tempo, começa a tratar de coisas cada vez mais sérias e profundas sem perder a leveza que tem. A premissa é interessante: Eleanor morre e vai parar ao que muitos de nós chamam de Céu... mas por engano.

 

The Boys ★★★★☆

Não esperava gostar tanto desta série, já que super-heróis não fazem o meu género (aprecio de vez em quando, mas não adoro). No entanto, esta série teve e tem tudo para dar certo: uma sátira da sociedade (americana, no caso da série, mas que se estende à cultura ocidental) com muitas e muito boas críticas sociais. Se forem como eu e não parece o vosso género de série: recomendo experimentarem, e depois formem a vossa opinião.

 

BoJack Horseman ★★★★★

A surpresa de 2020; o melhor ficou para o fim. Desisti desta série por duas vezes e foi a terceira vez que foi a altura certa para a ver. Para além de ter devorado a série num instante, fiquei apaixonada e posso dizer que esta série é a única que tem ordem fixa e se encontra no primeiro lugar do top. Das melhores séries que já vi na minha vida inteira, com episódios tão bem feitos e editados que são de cortar a respiração. Uma série que nos dá valentes murros no estômago. Sou péssima a ter memória de séries, mas tenho até hoje vários episódios de BoJack Horseman presentes em mim e que sinto que nunca mais vou esquecer. É crua e é tão boa. Esta eu recomendo a 10000000% e queria poder "desver" para voltar a poder ver pela primeira vez. Adorei muito.

 

Que séries viram em 2020 e que recomendam?

05
Dez20

(Mais) Um livro inacabado

Vera

É a segunda vez que tento ler o Cemitério de Pianos do José Luís Peixoto e é a segunda vez que não consigo. Acabei por decidir desistir de vez e colocar o livro à venda, porque efectivamente não acho que seja para mim.

 

Nunca disse por aqui, mas este ano - coincidentemente, o ano em que comecei a ler mais do que era normal - apercebi-me de que uma das coisas que mais prezo num livro é precisamente a história. Acabam por nunca me agradar tanto os livros que colocam a história em segundo plano para priorizar outro aspecto. Acho que este é um deles.

 

Gosto imenso da escrita do José Luís Peixoto, ainda mais quando se trata de escrita como a deste livro e não, por exemplo, a apresentada no Dentro do Segredo (a meu ver, com menos floreados, já que o livro também assim o pedia). Mas o tanto de louvar que há no facto de ele tornar especial tudo o que parece insignificante no dia-a-dia, também é o tanto que isso me aborrece. Parece que, por trás disso, a história não avança, não se passa nada. Quase que queria ter essa visão poética do quotidiano, do aparentemente trivial, mas olhem, de facto, não tenho. E também está tudo bem com isso, um livro para cada forma de ser, de pensar e de ver o mundo.

 

O objectivo não era vir para aqui criticar o livro, até porque nem 100 páginas consegui ler, não sinto que tenha propriedade para tal. O propósito era reflectir um pouco sobre a situação, da mesma maneira que reflecti, para com os meus botões, quando depois de dois anos decidi desistir do The Night Circus por toda a enrolação no enrendo.

 

Felizmente, alguém há-de amar o Cemitério de Pianos mais do que eu.

02
Dez20

JOGOS: The Elder Scrolls V: Skyrim

Vera

Sim, eu sei. É engraçado dizer que vou falar de filmes, séries e livros num blog e depois o primeiro post "a sério" ser sobre um jogo. Sinceramente, nunca pensei que alguma vez fosse falar de jogos num blog. Mas aqui estou eu.

 

O Skyrim é um dos meus jogos preferidos de sempre, mas tenho uma relação um bocado atribulada com ele. Passo a explicar: comecei a jogá-lo há anos e gostei bastante. Até que comecei a chegar sempre a partes que não conseguia passar por nada deste mundo, comecei a cansar-me de falhar constantemente cada vez que tentava jogar e, por fim, desisti de vez. Isso, aliado ao facto de eu não gostar muito de jogar com rato e teclado, fez com que ficasse não só com neura do Skyrim como de jogos no geral, porque sentia que nunca ia conseguir jogar nada mais "sério".

 

As soluções foram duas: comprar um comando para o computador e meter no nível fácil (como é que em anos e anos que joguei nunca me lembrei desta do nível?!). Sem vergonhas, que sou uma jogadora fraquita mas pelo menos assim jogo! Esta foi a receita que fez renascer não só um pequeno vício como o grande amor que tinha pelo jogo.

 

Skyrim é o nome dado à região onde o jogo ocorre, sendo um jogo de mundo aberto, cheio de locais e missões para explorar. Eu resolvi, desta vez, seguir e fazer a missão principal. A história é muito interessante: dragões que estavam mortos há anos estão a voltar à vida e só eu os posso matar. Contava-vos muito mais que isto, se não fossem spoilers. É o que me tem cativado mais, porque é um jogo cheio de história, mas não só: cheio de cenários lindíssimos, de cortar a respiração; cheio de mitologia e simbologia; cheio de criaturas peculiares (odiamos todas elas, mas a imaginação para as criar é espantosa).

 

Por ser mundo aberto, é um jogo que não tem propriamente fim nem é linear, pode-se fazer nele aquilo que bem apetecer. Podem nem fazer missões nenhumas e seguir uma vida tradicional: arranjar um animal, casar, adoptar crianças.

 

É um jogo de fantasia mas cada vez mais o sinto como um jogo de terror. Não é que o seja ou que seja esse o propósito, de todo, mas quanto mais avanço mais me assusta. Acho-o tão imersivo que a mistura dos cenários com os sons de fundo criam a ambiência perfeita para me deixar um bocadinho susceptível a sustos (e é sempre nestas alturas que o meu gato escolhe andar a correr pela casa a fazer barulhos que me fazem saltar, o que é maravilhoso).

 

Dá-nos a possibilidade de escolher a classe da nossa personagem de entre várias existentes e podemos desenvolver um monte de competências: desde magia a armas (arco e flecha, espadas, o que bem vos apetecer), passando por sneaking, sendo que quanto mais as desenvolvemos, mais possibilidades temos de aumentar o nível de aspectos que também são importantes para o jogo, como a vida ou a stamina, por exemplo.

 

Há tanto para dizer sobre este jogo que acho que nunca mais sairia daqui, e acho que não lhe fiz jus nenhum. Mas a quem tiver o mínimo de interesse, aconselho a pesquisarem um pouco. Experimentem jogar e maravilhem-se tanto quanto eu (e não se esqueçam de pôr no nível fácil, se for preciso). Se isto não for suficiente, deixo-vos com imagens - que não são minhas - do jogo, para ver se vos aguça a vontade:

 

 

E se isto não chega, também tem dos melhores soundtracks que já ouvi na vida, ora comecem lá por aqui. Já vos convenci?

01
Dez20

O primeiro

Vera

Apesar do título se chamar "o primeiro", este já não é o meu primeiro post nem o meu primeiro blog (longe disso). Há uns anos tinha alguma dificuldade em manter blogs por muito tempo - hoje sinto que isso se devia sobretudo à plataforma escolhida, já que o único blog que consegui manter durante anos foi também o primeiro que criei aqui, nos blogs do sapo.

 

Queria fazer uma pequena introdução para quem de novo me possa visitar por cá e dizer-vos que aqui se vai falar, sobretudo, sobre filmes, séries e livros. Eventualmente, uma ou outra coisa adicional, algumas reflexões ou outros assuntos que não esses três, mas estes são, efectivamente, os meus interesses principais e aquilo sobre o qual mais gosto de conversar e de escrever.

 

Para quem não me conhece (quase toda a gente, não é?): o meu nome é Vera, tenho 27 anos e sou de uma pequena cidadezinha do interior de Portugal. O que eu mais gosto de fazer é ver séries, mas neste ano que passou ganhei um amor muito maior do que o que alguma vez tive por livros e leitura. Se reconhecerem o nome do meu blog, já poderão adivinhar uma das minhas bandas preferidas de sempre: Capitão Fausto, junto com The National. Sou cat lady (além de ter um gato muito fofo), do signo Leão (se é que isto interessa para alguma coisa...), INFP e Ravenclaw. Adoro Friends, Doctor Who e Frozen.

 

O resto vão ter que ser vocês a descobrir, senão isto também não metia piada nenhuma. Espero que gostem!