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mil e quinze

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

17
Fev22

SÉRIES: Alice in Borderland

Vera

Uma série que começou a ser recomendada muitas vezes na sequência de Squid Game, no entanto já estava na minha lista para ver há bem mais tempo, por recomendação de uma amiga quase na altura em que saiu.

 

 

Baseada no mangá homônimo de Haro Aso, Alice in Borderland acompanha Ryohei Arisu (Kento Yamazaki), um jovem desempregado que passa boa parte do tempo jogando videogame. Certo dia, ele acorda e se depara com uma Tóquio completamente diferente do que está acostumado. Nessa estranha versão da cidade, Arisu e seus amigos viram personagens de um perigoso jogo e precisam seguir as regras para sobreviver. Tendo conhecido Usagi (Tao Tsuchiya), uma garota que se move sozinha na disputa, Arusi decide se juntar a ela para desvendar os segredos do novo mundo paralelo. Fonte: AdoroCinema

 

Alice in Borderland segue Arisu e os seus amigos quando todas as pessoas ao seu redor desaparecem repentinamente e se vêem sozinhos num mundo que funciona à base de jogos mortais. Estes jogos são a única coisa que vejo em comum com Squid Game, fora isso acho que são duas séries completamente diferentes uma da outra, e não tão comparáveis assim. Alice in Borderland tem uma temporada até ao momento, de 8 episódios, mas foi feita para ter continuação (ainda não há data).

 

É uma série bastante violenta, mas também bastante misteriosa. Durante toda a temporada não se sabe ao certo o que está a acontecer, como ou porquê - mesmo com algumas das respostas que vão surgindo com o passar dos episódios. Se for para comparar com Squid Game, tenho a dizer que esta me parece uma série bastante mais séria e pesada: os jogos são meio aleatórios (não existe um conceito definido, em oposição aos jogos infantis em Squid Game), não se sabe quem ou o que está por detrás deles, não se sabe o que levou a tudo aquilo. Tem uma ambiência mais rigorosa que a de Squid Game - não tanto de entretenimento mórbido ou beleza visual. O tipo de consequências que advêm de certos jogos ou decisões também são bem mais graves.

 

Vi muitos comentários de pessoas que acharam a série fraquinha... Eu gostei bastante, apesar de ter havido uma certa parte no enredo que não me agradou e levou a série por um rumo menos bom. Também tem alguns furos no enredo que não são desculpáveis - há que fazer trabalhar as personagens a favor dos factos e acontecimentos, e não fazer os factos trabalharem a favor das personagens. Apesar disso, estou bastante curiosa com tudo e sinto que, tendo dado respostas, o final não respondeu nada - ficaram ainda mais questões. Dou por mim a querer muito saber o que raio se está a passar ali.

 

Por isso, recomendo muito a série! Como ainda só tem 8 episódios, é bastante fácil e rápida de ver. Ah, e é ligeiramente inspirada em Alice in Wonderland (vê-se isso só pelo nome)... Tanto o nome, como alguns elementos da série, como também algumas personagens. Vale a pena!

 

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Conhecem esta série? O que acham?

09
Fev22

LIVROS: My Dark Vanessa, Kate Elizabeth Russell

Vera

Sabem aqueles livros em que sentem que precisam de algumas semanas para recuperar depois de terminarem a leitura? Aqueles dos quais sabem que, na realidade, nunca vão recuperar por completo - que deixaram marca, que vão ficar para sempre convosco, que agora fazem parte de vocês? My Dark Vanessa é um desses livros.

 

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«I just really need it to be a love story. You know? I really, really need it to be that. (...) Because if it isn't a love story, then what is it?»

 

My Dark Vanessa é um livro que alterna entre capítulos ocorridos no presente e outros no passado, girando em torno de Vanessa e a relação que esta teve com um dos seus professores quando tinha apenas 15 anos. O que acontece quando, de fora, uma relação destas é vista como abuso, com um agressor e uma vítima, mas de dentro é vista como uma relação perfeitamente normal? O que acontece quando rotulamos de "vítima" uma pessoa que não se sente como tal? My Dark Vanessa pretende mostrar-nos a resposta.

 

Mesmo depois de crescer e se tornar adulta, Vanessa nunca vê a sua experiência como uma de abuso. O que para nós, leitores, é uma relação claramente abusiva, com muita manipulação envolvida, com um elemento que exerce claramente maior poder sobre o outro, para Vanessa é uma relação normal, entre duas pessoas que se apaixonaram uma pela outra. Não querendo desculpabilizar este tipo de relações, este tipo de problemáticas, movimentos como o MeToo... que direito temos nós a impor pensamentos, sentimentos, rótulos a "vítimas" que não se vêem como tal? A experiência deste tipo de acontecimentos vai ser sempre diferente entre quem a vive e quem é apenas um mero e longínquo espectador.

 

Este livro foi... pesado. Foi incrivelmente pesado, sobretudo porque consegue ser bastante explícito e cru em certos momentos. A escrita de Kate Elizabeth Russell conseguiu colocar-me muitas vezes na pele da própria Vanessa. Não posso dizer que tenha sido uma experiência agradável - e não é isso que o livro pretende, e não é isso que faz um livro ser mesmo muito, muito bom? Muitas vezes senti-me doente - nunca uma sensação presente e activa de naúsea, de querer vomitar; muitas vezes uma sensação subtil, quase escondida e disfarçada de puro desconforto, de sentir que continuar a leitura me ia deixar doente, de querer parar ali e não voltar mais.

 

O que mais me surpreende no livro é o quão realista foi ao mostrar certos elementos da adolescência, como consegue fazer-nos entender o que vai na cabeça da Vanessa adolescente. Assustou-me a facilidade com que alguns acontecimentos isolados se misturaram com alguns pensamentos normais de uma adolescente para fazer acontecer algo que simplesmente não devia acontecer na vida de qualquer menor de idade.

 

«I had no reason to care about rape then--I was a lucky kid, safe and securely loved--but that story hit me hard. Somehow I sensed what was coming for me even then. Really, though, what girl doesn't? It looms over you, that threat of violence. They drill the danger into your head until it starts to feel inevitable. You grow up wondering when it's finally going to happen.»

 

Senti muitas vezes vontade de abanar a personagem, de gritar-lhe que nada disto é normal, que não é suposto acontecer, que os efeitos que teve na sua vida são visíveis para todos menos para ela, que precisa de abrir os olhos, acordar. Mas se ela não sente que foi abusada, se não acredita que é uma vítima... será que valeria a pena? Sem dúvida uma leitura que vai ficar comigo - não no coração, mas às voltas bem no fundo do estômago.

 

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06
Fev22

SÉRIES: And Just Like That...

Vera

Sou fã de Sex and the City; pelo menos da série, dos filmes não tanto. De vez em quando gosto de rever a série, em jeito de conforto daquilo que já conheço, das histórias que já me são familiares, das personagens que conheço cada vez melhor a cada vez que volto a ver a série. Portanto, sabia que ia querer ver o revival desta: And Just Like That..., uma série com as mesmas personagens (exceptuando a Samantha), cerca de 20 anos depois.

 

 

Revival do fenômeno "Sex and the City", And Just Like That… é baseada no romance "Ainda Há Sexo na Cidade?", de Candace Bushnell (também autora do livro que inspirou a série original da HBO). Voltam para a trama a colunista Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker), a advogada Miranda Hobbs (Cynthia Nixon) e a marchand Charlotte York (Kristin Davis). Agora, as três mulheres enfrentam questões típicas da meia-idade: a perda da juventude, a pressão estética de envelhecer, casamentos que se transformam em divórcios, filhos crescendo e novas aspirações profissionais. Amor, sexo e amizade se misturam mais uma vez na vida de Carrie, Miranda e Charlotte, tendo como pano de fundo clássico a cidade Nova York. Fonte: AdoroCinema

 

Agora que terminou e que posso olhar para trás e ver a série como um todo, confesso que de um modo geral acabo por achar que foi um pouco estranha. A série fez questão de demarcar uma posição completamente diferente da sua precedente, de se afirmar enquanto série de 2021/22, com tudo o que isso e os nossos tempos actuais implicam. Fez questão de mostrar que quer ultrapassar alguns pensamentos problemáticos, fez questão de mostrar as personagens a adaptarem-se a determinados assuntos, termos, problemáticas dos dias de hoje - que não existiam na altura de Sex and the City. E esta afirmação por parte da série chegou a ser um tanto ou quanto constrangedora - e não consigo decidir comigo mesma se isso foi intencional ou não. Chegou a parecer um pouco forçado o esforço que fizeram ao tentar incluir tantas problemáticas dos dias de hoje - a minha reacção inicial foi pensar no porquê de não fazerem isso de modo mais natural, e depois pensei se não foi efectivamente propositado, tendo em conta que a série gira em volta de mulheres nos seus 50s, também elas a tentarem ajustar-se às ideias do mundo actual, completamente diferente daquele que conheciam há 20 anos. Em todo o caso, essa estranheza foi mais sentida por mim no início, já que senti a história e os assuntos a fluírem de modo mais natural com o passar da temporada.

 

Parece contraditório dizer-vos agora que uma das coisas que mais gostei na série foi o modo como introduziram algumas dessas problemáticas na vida de uma das personagens especialmente: a Charlotte. Quem viu Sex and the City conhece esta personagem como ninguém, e achei que a evolução e crescimento pessoal dela neste revival foi absolutamente incrível! Provavelmente uma das poucas em que nunca senti ser tão forçado esse ajuste aos tempos actuais. Os conflitos internos e dúvidas que teve enquanto mãe são legítimos, e ao mesmo tempo sempre tentou fazer aquilo que achava ser melhor nesse papel que desempenha. Foi uma Charlotte simultaneamente tão diferente da de Sex and the City na sua flexibilidade e abertura, e tão igual na sua genuína dedicação e preocupação. Os enredos em volta dela foram, de um modo geral, muito bem construídos e pertinentes.

 

Pode parecer estranho mas não consigo não vos falar da série assim, por personagens. Dito isto, acabei por achar o enredo da Miranda um pouco estranho, e não sei precisar o porquê. Penso que a execução falhou ali um pouco em certos elementos, pelo que senti muitas vezes que queria compreender a personagem mas não conseguia - pelo menos, não totalmente.

 

Por fim, aquilo que aconteceu logo de início na vida de Carrie foi também o que fez a temporada desenrolar, já que ela é a verdadeira protagonista da série. Também achei que o crescimento pessoal dela, sobretudo aquele ligado "ao acontecimento", foi muito bem construído e trouxe temas pertinentes e um elemento que sinto que até estava a faltar na história destas mulheres. Além disso, também nos mostrou uma nova Carrie, também ela adaptada aos novos tempos - deixando de escrever crónicas (porque já ninguém está para ler, infelizmente) e passando a um novo formato, com uma maior confiança da parte dela.

 

Para resumir, a série teve os seus elementos estranhos e constrangedores, mas de um modo geral gostei bastante do que vi. Não se faz ideia se vai haver uma segunda temporada ou não, mas o final foi bem rematado o suficiente para não precisarmos de mais. Conseguiu fechar todas as histórias de forma clara, sem demasiada margem para dúvidas, o que ajuda a não sentir uma enorme frustração se a série se ficar mesmo por aqui. Para quem gosta de Sex and the City, esta é uma série para ver!

 

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02
Fev22

SÉRIES: Clickbait

Vera

Uma série que me deixou interessada desde o primeiro momento em que vi o trailer.

 

 

Clickbait é uma minissérie de suspense que apresenta vários pontos de vistas diferentes durante a investigação de um crime impulsionado pelas redes sociais. Na série, Nick Brewer (Adrien Grenier) é um respeitável pai de família acusado de crimes terríveis e está prestes a pagar caro por eles. Agora sua família precisará descobrir quem é o Nick verdadeiro: um marido e pai amável ou um homem violento cheio de segredos? Clickbait explora como impulsos perigosos são elevados na era das mídias sociais. E revela as distinções entre as identidades criadas na internet e as construídas na vida real. Fonte: AdoroCinema

 

Achei desde logo a premissa da série bastante interessante - um vídeo com um homem capturado a segurar cartazes que o acusam de ter abusado de mulheres e matado uma delas, mas também a segurar um que diz que ele vai morrer quando o vídeo chegar aos 5 milhões de visualizações. Ora, todos estamos em 2022 e todos sabemos como as coisas funcionam nos tempos que correm, portanto a premissa deixa-nos aquele gostinho de "não vai demorar a chegar às visualizações e ele vai mesmo morrer - agora quero saber tudo o que se passa ali".

 

Vou directa ao assunto: a série não tem nada a ver com aquilo que o trailer nos indica que é. Achamos que vamos ver uma coisa e acabamos a ver outra completamente diferente. Se isto é mau? Não! Muito pelo contrário, só fez com que conseguisse surpreender, e bastante. Agora que penso, talvez o trailer tenha sido uma espécie de clickbait em si mesmo - a série não teve assim tanto a ver com o que nos foi mostrado no trailer, mas deixou-nos suficientemente interessados para ir ver a série. Se foi essa a intenção, foi genial.

 

Se há algo de negativo a apontar, seria talvez apenas o facto de ter demorado para conseguir empatizar com as personagens; vamos conhecendo-as a um ritmo lento inicialmente. Mas de um modo geral acabei por gostar bastante da série. Como foi por um rumo diferente do esperado, acabou por me interessar ainda mais. Teve alguns plot twists interessantes, sendo que o primeiro para mim foi o melhor - tão óbvio nos dias de hoje, e ao mesmo tempo nunca me tendo passado uma única vez pela cabeça. A partir daí deu para prever alguns elementos da história, outros nem tanto. O final tem sido criticado por alguns espectadores por parecer criado do nada e não ter sentido nem coerência. Consigo compreender esse ponto de vista mas pareceu-me verosímil - acho que a sua aleatoriedade não é assim tão descabida, sobretudo se pensarmos que estamos a lidar com muitos elementos do mundo online.

 

Na minha opinião, Clickbait foi uma série que pretendeu mostrar o lado mau da Internet e alguns dos seus problemas, sob várias perspectivas: não só a dos vídeos virais, mesmo que com graves consequências; como também a de "julgamentos em praça pública" e polémicas (sendo que não precisamos de um vídeo destes para assistirmos a isso, quando tão facilmente se abre uma caixa de comentários de certa notícia para vermos isso acontecer); assim como os perigos e riscos que existem do outro lado do ecrã, e como tão facilmente nos podemos deixar levar pela maré sem sabermos onde ela nos leva. Acima de tudo, mostra como todos esses aspectos podem influenciar fortemente a vida das pessoas - a vida real de pessoas reais.

 

Acho que é uma mini-série que vale bastante a pena ser vista, em grande parte imprevisível, repleta de elementos surpresa e profundidade que lhe dão um tom sério, como não podia deixar de ser quando efectivamente acaba a tratar de assuntos pesados. Não posso deixar de ver o primeiro momento de revelação como uma espécie de teste aos espectadores - "se o enrendo vos levar onde pretende, fazem parte do problema". Não me orgulho de dizer que foi um teste onde não passei.

 

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Deixei-vos com curiosidade? Quem já viu? É deixar a opinião nos comentários!

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