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mil e quinze

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

10
Ago22

LIVROS: A Man Called Ove, Fredrik Backman

Vera

Demorei um pouco a conseguir envolver-me na história deste livro e, agora que já o li por inteiro, penso que isso talvez seja um reflexo da boa escrita de Fredrik Backman.

 

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A Man Called Ove começa por nos dar a conhecer o protagonista que dá nome ao título, Ove, como um homem de 59 anos carrancudo e rabugento. Ove gosta de ordem e de regras e não se identifica com quase nada nem ninguém dos tempos actuais em que vive. Mas não demoramos muito a descobrir as razões que levaram a que Ove seja a pessoa que é, fazendo-nos perceber que por detrás deste homem taciturno está uma triste história de sofrimento e dor. A partir daqui, conseguimos ir percebendo que, na verdade, Ove é um homem bondoso, de coração gigante.

 

É por isto que sinto que a minha dificuldade em envolver-me na história no começo foi apenas um reflexo do quão bem Fredrik Backman escreve, já que ao início Ove parece-nos simplesmente uma personagem desagradável. Mas à medida que avançamos no livro vamos percebendo que não é bem assim e vamo-nos afeiçoando a esta pessoa que começamos a conhecer melhor.

 

A Man Called Ove é, acima de tudo, uma história sobre relações humanas, conflitos, mas também sobre apoio, amor e empatia. Uma daquelas histórias que tanto gosto que nos relembram o quão especial é criar laços com as pessoas, criar amizades, não estarmos sozinhos.

 

«"Loving someone is like moving into a house," Sonja used to say. "At first you fall in love with all the new things, amazed every morning that all this belongs to you, as if fearing that someone would suddenly come rushing in through the door to explain that a terrible mistake had been made, you weren't actually supposed to live in a wonderful place like this. Then over the years the walls become weathered, the wood splinters here and there, and you start to love that house not so much because of all its perfection, but rather for its imperfections. You get to know all the nooks and crannies. How to avoid getting the key caught in the lock when it's cold outside. Which of the floorboards flex slightly when one steps on them or exactly how to open the wardrobe doors without them creaking. These are the little secrets that make it your home."»

 

E também é uma bonita história de amor, daquelas que não sei mais se se encontram nas gerações mais recentes, mas que algures pelo mundo e por outros tempos ainda existem.

 

Acabei por gostar deste livro bem mais do que estava à espera, sobretudo por ter demorado tanto a entrar na história, mas assim que começou a entrar nos eixos começou a valer muito a pena. Gosto que tenha pelo meio tantas situações caricatas com tantas personagens diferentes - a certa altura parece-nos haver certos momentos de alguma comédia no meio de uma história tão triste. E não é que faz tanto sentido que sejam estas personagens a trazer mais leveza à vida de Ove? A torná-la menos cinzenta?

 

Outro aspecto a salientar neste livro é a forma como Fredrik nos revela as coisas. Tudo vem a seu tempo, Fredrik sabe colocar a "semente" de forma certa para nos deixar saber que há algo por detrás daquelas afirmações, mas que ainda não é tempo de sabermos exactamente o que é - e depois revela tudo no ritmo certo, fazendo-nos sentir que este é um livro cheio de surpresas (nem sempre boas, mas ainda assim surpresas).

 

«Death is a strange thing. People live their whole lives as if it does not exist, and yet it's often one of the great motivations for living. Some of us, in time, become so conscious of it that we live harder, more obstinately, with more fury. Some need its constant presence to even be aware of its antithesis. Others become so preoccupied with it that they go into the waiting room long before it has announced its arrival. We fear it, yet most of us fear more than anything that it may take someone other than ourselves. For the greatest fear of death is always that it will pass us by. And leave us there alone.»

 

Em suma, recomendo muito este livro. Com uma história que tem tanto de bonita como de triste e que vos vai fazer deitar algumas lágrimas. Muito se tem falado do filme que vai ser lançado este ano, protagonizado por Tom Hanks e baseado neste livro, que se vai chamar A Man Called Otto. Mas na realidade já existe uma adaptação cinematográfica da história: um filme sueco (tal como o autor do livro) de 2015, com o mesmo nome, que podem ver na HBO Max.

 

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Quem já leu este livro? Só preciso que me digam duas coisas: o que acharam e qual o carro que conduzem (viram o que fiz? ).

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29 ∷ Miúda do interior com alma de lisboeta ∷ Wannabe marketeer ∷ Overthinker a tempo inteiro ∷ Sempre a saltar de livros para séries para jogos nas horas vagas

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